TECENDO A HISTÓRIA

BEM VINDO A COLUNA DA RAÍZA RAMALHO QUIRINO. ESTUDANTE DO CURSO DE HISTÓRIA PELA UFCG


SANTA HELENA E AS ESTRIPULIAS DO REI DO CANGAÇO

 Com o advento da Nova História (1930), que se diz voltada ao social e cultural, buscando dá voz aos agentes anônimos, vencidos e bestializados, projetos e trabalhos científicos, que discutem o cangaço e a imagem de Virgulino Ferreira da Silva, popularmente conhecido por Lampião, cada vez mais são desenvolvidos em todo o Brasil e fora dele. 

O marxista Rui Facó, em seu livro “Cangaceiros e Fanáticos”, defende que o cangaço é fruto de um atraso econômico, do monopólio de terra, que se iniciou com as Sesmarias, de uma imobilidade social, enfim é conseqüência de alguns processos que marcaram o nordeste ainda no final do século XIX. Já o britânico e também marxista Eric Hobsbawm, em seu livro, Rebeldes primitivos: estudos de formas arcaicas de movimentos sociais nos séculos XIX e XX, defende a existência de um bandido – social. Para ele o bandido que não é culpado pela população, ou que é protegido em determinados momentos pela população/povo, é um criminoso que impõe, através de práticas de banditismo, assaltos, assassinatos entre outras, resistência a uma sociedade opressora. 

Equanto Rui Facó vê o cangaço como o prólogo de uma revolução social, e Hobsbawm o banditismo como uma forma primitiva de protesto social, Geralda de Oliveira Santos de Lima, em sua tese de doutorado parte de outra concepção. Baseada principalmente, nos discursos de autores como; Júlio José Chiavenato, Maria Isaura de Queiroz, Alcino Alves Costa, e diversos outros, a autora apresenta o cangaço como uma manifestação de práticas de poder. Para ela, “o Cangaço é um fenômeno derivado dos interesses de poder”. Existiu uma dinâmica ou uma sistemática rede de trocas de interesses entre os cangaceiros nordestinos, típicos dos anos 1925 e 1926, e os representantes oficiais do poder político e econômico do Nordeste.

No entanto, nosso objetivo no momento não é discutir as diversas concepções a cerca do cangaço, mas relatar sobre a versão da passagem do cangaceiro Lampião e seu bando ao município de Santa Helena, quando ainda era um povoado, seus feitos e efeitos para esta sociedade.

De acordo com a História local, no ano de 1927, o rei do cangaço e seu bando passou pela semi-vila, naquele ano chamada; Canto de Feijão (em função da boa produção do grão). Lampião que saíra do visinho estado do Ceará rumo à Pernambuco, visitou várias cidadezinhas que na época eram vilas, semi-vilas e povoados. Entre elas, ele esteve em Santa Helena e deixou na memória dos santelenenses recordações das suas estripulias.

Uma versão relatada pela literatura de cordel, trabalhos acadêmicos, produzidos na cidade, e reafirmada pela oralidade, acredita que Lampião assassinou o senhor Raimundo Luis da Silva, delegado do povoado em 1927, e um de seus empregados, e ainda torturou a senhora Dona Rosinha, esposa do delegado. Lampião invadiu residências em busca de ouro, prata e bens em geral, e de acordo com os cordéis e depoimentos, “espalhou pavor e medo, atirando pra todo lado, e causando alvoroço”.

É importante pontuar que a cidade de Santa Helena em 2004 foi palco e personagem de um Curta- metragem, intitulado: Santa Helena em Os Phantasmas da Botija, reconhecido internacionalmente. O pequeno filme foi patrocinado pela Petrobrás e nele moradores da cidade contam sobre botijas e seus “assombros”.

Segundo a oralidade abraçada pelo curta, as botijas são “filhas” do medo que as pessoas tinham do bando de Lampião e de outros cangaceiros e saqueadores. Os moradores colocavam seus pertences valiosos em panelas de barro, ou caixinhas e enterravam, pra não ter que vê tudo indo embora quando os cangaceiros ali passavam.

Até hoje a História de Lampião e seu bando é bem presente na memória dos santa-helenenses, e conseqüentemente na História da cidade. Fatos e episódios relembrados e perpassados pela literatura de cordel, exposições culturais, atividades acadêmicas e culturais, enfim pela História. 
Tags: ,

2 comentários

  1. Valeu Rah;
    Você será uma historiadora de Santa Helena.
    Te admiro.
    Rah

  2. tal pai, tal filha...Sempre admirei o seu pai pelo seu talento e pelo bom profissional que ele é.Com você não será diferente.Parabéns!

Leave a Reply